22 de outubro de 2026
A recuperação da soja e do milho em Chicago divide espaço com fatores que exigem atenção de quem compra matérias-primas para nutrição animal. No Brasil, os prêmios da soja ficaram mais firmes, enquanto o dólar em alta e o petróleo elevado mantêm a preocupação com os custos de aquisição e transporte.
Para o comprador, o ponto central é acompanhar o custo entregue: o movimento da bolsa, sozinho, não determina o preço do insumo no mercado brasileiro.
Destaques do dia
- Soja: contrato novembro próximo de US$ 12,48 por bushel, tentando recuperação após três sessões de queda.
- Demanda chinesa: venda de 612 mil toneladas de soja para a China oferece suporte, mas a continuidade das compras será decisiva.
- Milho: cotação próxima de US$ 4,65 por bushel, com potencial de alta limitado pela oferta americana elevada.
- Dólar: aproximadamente R$ 5,05 às 09h05, em alta de 0,5%.
- Petróleo: Brent próximo de US$ 112, mantendo energia, fretes e custos agrícolas no radar.
- Safra brasileira: plantio de soja em 30,1%, com condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras.
Soja: reação em Chicago encontra prêmios mais firmes no Brasil
A soja tenta recuperar parte das perdas recentes, com o contrato novembro próximo de US$ 12,48 por bushel. A venda de 612 mil toneladas para a China oferece suporte às cotações, embora a sustentação desse movimento dependa da continuidade da demanda.
O histórico recente ainda é de pressão. Segundo o levantamento apresentado sobre os prêmios em Paranaguá, os futuros em Chicago registraram 10 quedas nos últimos 11 pregões, com recuo acumulado de aproximadamente 60 centavos de dólar por bushel, atingindo o menor patamar desde agosto.
No Brasil, os prêmios ficaram mais firmes mesmo diante das quedas de Chicago e do câmbio relatadas nesse levantamento. Na abertura desta quinta-feira, porém, o dólar apresentava alta.
Essa combinação reforça a necessidade de observar bolsa, câmbio e prêmios em conjunto ao avaliar as condições de compra.
Farelo de soja: demanda por ração segue enfraquecida na China
Na China, a soja doméstica avançou, mas o farelo de soja continuou pressionado por uma oferta confortável e por um mercado de rações ainda fraco. O farelo de canola também recuou.
A suinocultura chinesa permanece como um ponto de atenção para a demanda por ingredientes destinados à alimentação animal. As perdas em outubro estão próximas de US$ 80 por cabeça, limitando uma recuperação mais consistente do consumo de proteínas para ração.
Mesmo com a redução do plantel de matrizes para 36,02 milhões de cabeças, os ganhos de produtividade e os pesos elevados de abate continuam sustentando a oferta de carne. O consumo fraco e os estoques de carne congelada dificultam uma reversão clara desse cenário no curto prazo.
Milho: compras chinesas dão suporte, mas oferta limita avanço
O milho avança para perto de US$ 4,65 por bushel em Chicago, ainda condicionado pela oferta americana elevada.
No mercado chinês, o contrato janeiro subiu 1,5%, para RMB 2.218 por tonelada, após a Sinograin iniciar compras de rotação da nova safra no Nordeste do país.
A operação trouxe suporte ao mercado, mas é considerada rotineira e não altera significativamente o balanço nacional. A oferta permanece confortável, e as fábricas de ração continuam utilizando grãos alternativos, limitando o potencial de alta.
Dólar e petróleo exigem atenção ao custo entregue
Às 09h05, o dólar estava próximo de R$ 5,05, com alta de 0,5%. A abertura refletia a aversão global ao risco, as tensões no Oriente Médio e a cautela com o cenário eleitoral brasileiro. A pesquisa Datafolha prevista para o início da noite também estava no radar.
O petróleo Brent próximo de US$ 112 mantém a preocupação com energia, fretes e custos agrícolas. O material aponta receios de interrupção da oferta associados a ataques na Arábia Saudita.
Para quem compra insumos, câmbio e logística precisam entrar na mesma avaliação das cotações das matérias-primas.
O que acompanhar nas próximas negociações
A continuidade das compras chinesas de soja, a firmeza dos prêmios brasileiros e o comportamento do dólar serão importantes para avaliar a sustentação dos preços.
No campo, o plantio brasileiro de soja alcança 30,1%, e o clima favorável nas principais regiões produtoras melhora as estimativas de produção. A evolução dessas condições segue relevante para as expectativas de oferta.
Leitura Okamoto: a tentativa de recuperação em Chicago ainda convive com oferta confortável e demanda desigual. Para planejar a reposição, vale comparar as ofertas considerando prazo de entrega, frete e necessidade de estoque, além da direção das bolsas.