Informativo de Mercado Okamoto | 15 de outubro de 2026
Soja pressionada em Chicago e dólar em alta marcam a abertura do mercado
O mercado inicia esta quinta-feira com queda da soja em Chicago, compras chinesas ativas e valorização do dólar frente ao real. O avanço da colheita norte-americana, os relatos de boas produtividades e a oferta confortável de farelo na China pressionam as cotações internacionais. No Brasil, o câmbio e o andamento do plantio seguem entre os principais fatores para a formação dos preços.
Soja: boas produtividades nos EUA pressionam Chicago
A soja foi cotada a US$ 12,74 por bushel no mercado noturno de Chicago, apesar do anúncio de venda de 470 mil toneladas para a China. Segundo os boletins acompanhados, os relatos positivos de produtividade nos Estados Unidos levaram o contrato a operar no menor nível desde agosto.
A colheita norte-americana alcançou 46% na soja e 33% no milho, ainda abaixo das respectivas médias históricas.
Milho: produção e estoques americanos no radar
Para o milho, o USDA projeta produção norte-americana de 407,28 milhões de toneladas, com estoques de 46,97 milhões de toneladas.
O avanço da colheita e a confirmação dos rendimentos das lavouras seguem no radar, com potencial para alterar a percepção de oferta e o comportamento dos preços.
China: compras de soja seguem ativas
A demanda chinesa por soja dos Estados Unidos permanece ativa. Fontes de mercado citadas nos boletins indicam a aquisição de mais de 20 cargas no início da semana, com mais de dez cargas reportadas ontem para embarques entre dezembro e março.
Os compromissos estimados superam 15 milhões de toneladas, enquanto a cobertura chinesa estaria próxima de 80% para novembro e 45% para dezembro. A China também programou um leilão de 504 mil toneladas de soja para 20 de outubro.
Farelos: estoques elevados pressionam o mercado chinês
Mesmo com as compras de soja, o mercado chinês de farelos apresenta sinais de pressão. Os futuros de farelo de soja recuaram 1,83%, em um cenário de estoques domésticos superiores a 1 milhão de toneladas e compras cautelosas pelas fábricas de ração.
O farelo de canola também caiu 1,83%, embora a oferta mais restrita possa oferecer sustentação relativa. Sua competitividade vem favorecendo alguma substituição nas formulações de ração.
Brasil: plantio avança e comercialização segue lenta
No Brasil, o plantio de soja avançou para aproximadamente 20% da área prevista. A comercialização segue em ritmo mais lento, com estimativas de negócios próximos de 120 mil toneladas por dia nesta semana.
A evolução das lavouras, o interesse dos compradores e o câmbio continuam relevantes para as negociações no mercado físico e para os prêmios de exportação.
Câmbio: dólar sobe com cautela no cenário doméstico
Às 9h, o dólar era indicado próximo de R$ 5,05, em alta de 0,6%, enquanto o Dollar Index recuava 0,4%, para cerca de 102,1 pontos.
A divergência reflete a cautela com o cenário doméstico e a menor disposição global para assumir riscos. Entre os assuntos citados nos boletins estão a pesquisa Quaest divulgada ontem, a expectativa pelo Datafolha e a repercussão da aprovação, no Senado, da PEC sobre o fim da escala 6×1.
Cenário externo: indicadores americanos podem ampliar a volatilidade
Os investidores acompanham os indicadores de inflação ao produtor, vendas no varejo e pedidos de auxílio-desemprego dos Estados Unidos, além das sinalizações do Federal Reserve.
A queda dos rendimentos dos títulos americanos e o enfraquecimento global do dólar podem favorecer o real. Já a correção das ações de tecnologia e as incertezas domésticas podem ampliar a volatilidade.
Proteína animal: exportações chinesas ampliam a concorrência
O avanço da produção chinesa de carnes, combinado ao consumo interno mais fraco, amplia os excedentes destinados à exportação.
Esse movimento merece atenção pela concorrência com fornecedores brasileiros em mercados da Ásia, África e Oriente Médio e pelos possíveis reflexos sobre a demanda por insumos para ração.
Leitura Okamoto: atenção ao custo final das compras
A queda em Chicago pode favorecer oportunidades de compra, mas a alta do dólar pode limitar esse efeito nos preços brasileiros.
Para farelo de soja e milho, a avaliação deve considerar a oferta regional, o frete, o prazo de entrega e a necessidade de consumo. Nas compras futuras, o ponto central é comparar o custo entregue com o orçamento da operação e avaliar a possibilidade de garantir parte do abastecimento em condições adequadas.
Texto consolidado a partir dos boletins recebidos. As cotações de Chicago referem-se ao mercado noturno, e as informações de câmbio, à indicação das 9h de 15/10/2026. Os valores podem variar ao longo do dia.