30 de outubro de 2026
O mercado de matérias-primas inicia esta sexta-feira com dólar próximo de R$ 5,39 e sustentação da soja brasileira pela demanda industrial. Enquanto isso, a oferta abundante limita os preços do milho. Além disso, as negociações com a China e a alta do petróleo mantêm a atenção sobre custos e fretes.
Soja brasileira encontra suporte no câmbio e na demanda
O dólar e a demanda industrial sustentam a soja brasileira, apesar da pressão em Chicago. Nos Estados Unidos, as vendas de soja somaram 2,58 milhões de toneladas, com 1,63 milhão destinado à China. O período de referência dessas vendas, porém, não foi informado.
Em Paranaguá, os prêmios de exportação, que compõem o preço de negociação em relação à referência internacional, ficaram estáveis para a safra velha. Já nas posições da safra nova, os valores ficaram ligeiramente mais firmes.
Além disso, estimativas indicam cerca de 20 cargas negociadas com a China durante a semana, tendo o Brasil como principal origem. Os embarques estão previstos para o primeiro semestre de 2027.
Segundo informações da StoneX Brasil, a comercialização antecipada da nova safra brasileira está próxima de 34%. Esse é o maior patamar dos últimos cinco anos para esta época.
Embora esses movimentos ajudem a entender a demanda pelo grão, eles não indicam uma mudança automática nos preços do farelo de soja. Para o derivado, não foram apresentadas cotações.
Oferta abundante limita milho
Os preços do milho seguem limitados pela oferta abundante. Por outro lado, possíveis revisões nas estimativas de produção ainda precisam de confirmação. Assim, não é possível concluir que haverá mudança na disponibilidade.
No trigo, as vendas americanas atingiram 849,8 mil toneladas, maior volume do atual ano comercial. Entretanto, a semana de referência não foi informada.
Dólar próximo de R$ 5,39 e atenção à Ptax
Às 9h05, o dólar era cotado próximo de R$ 5,39, com alta de 0,2%. Em contrapartida, o Dollar Index, que acompanha a moeda americana frente a uma cesta de divisas, recuava 0,2%, para aproximadamente 101,7 pontos. Essas cotações são referências da abertura.
Mesmo com o enfraquecimento do dólar diante de outras moedas, a cautela fiscal brasileira e a aversão global ao risco limitavam o desempenho do real.
Além disso, a formação da Ptax de fim de mês, taxa de referência calculada pelo Banco Central, pode ampliar o volume de negócios e a volatilidade entre 10h e 13h10. Esse processo não corresponde a uma intervenção cambial.
No exterior, segundo informações da Reuters citadas no boletim, preocupações com investimentos em inteligência artificial estimulavam a busca por proteção. Esse movimento favorecia os títulos do Tesouro americano e reduzia os juros de dez anos. Ao mesmo tempo, a cautela nas bolsas restringia o apetite por moedas de países emergentes.
Petróleo mantém custos e fretes no radar
O petróleo avançava diante de riscos à oferta no Oriente Médio. Com isso, os custos agrícolas e de transporte permaneciam no radar.
Apesar desse fator de risco, os dados recebidos não apontam reajustes efetivos de combustíveis ou fretes. Portanto, a alta do petróleo não deve ser apresentada como aumento já confirmado no custo entregue dos insumos.
Leitura Okamoto
Na avaliação da Okamoto, a oferta abundante de milho e a sustentação da soja brasileira mostram condições distintas entre as matérias-primas. Já no farelo de soja, a análise depende das ofertas e da disponibilidade efetiva do derivado, pois os movimentos do grão não se transferem automaticamente para seu preço.