Mercado de matérias-primas: dólar a R$ 5,49 e soja reage

03 de novembro de 2026

  • O mercado de matérias-primas inicia a terça-feira com alta do dólar frente ao real e tentativa de recuperação da soja em Chicago. Enquanto o avanço da colheita americana amplia a disponibilidade de grãos, a China registra queda do farelo de soja e compras cautelosas das fábricas de ração.

Dólar avança e amplia atenção aos custos no Brasil

Às 9h30, o dólar era negociado próximo de R$ 5,49, com alta de 1,0%. No mesmo horário, o DXY, índice que mede a moeda americana frente a uma cesta de divisas, subia 0,1%, para cerca de 101,8 pontos.

As preocupações fiscais e a indefinição sobre a equipe econômica do próximo mandato de Lula pressionavam o real. Também circulavam especulações sobre mecanismos para reduzir a Selic, sem indicação de medida aprovada.

O Focus divulgado nesta terça-feira trouxe revisões para cima nas expectativas de inflação, dólar, Selic e dívida líquida em relação ao PIB, além de menor crescimento esperado. Nesse contexto, o Copom inicia sua reunião hoje, com decisão prevista para quarta-feira. Segundo a Reuters, os analistas ainda esperam um corte, mas projetam interrupção das reduções até o fim do ano.

Para as matérias-primas, o câmbio mais alto pode pressionar produtos importados e alterar as referências de negociação dos insumos ligados ao mercado externo. O repasse, porém, depende das condições de cada produto e fornecedor.

Soja tenta reagir após queda no fechamento anterior

Na referência das 7h02, a soja para novembro em Chicago estava próxima de US$ 12,10 por bushel, em tentativa de recuperação.

O movimento ocorre após o fechamento anterior registrar queda de 18 centavos de dólar por bushel, pressionado principalmente pelo recuo de US$ 9 por barril do petróleo. Já nesta terça-feira, o Brent voltava a subir, em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã.

No Brasil, o mercado de câmbio permaneceu fechado no feriado de segunda-feira, e as negociações de prêmios de soja em Paranaguá ficaram sem movimentação. Esses prêmios representam o diferencial negociado em relação à referência de Chicago.

Colheita americana avança e plantio brasileiro supera metade da área

A colheita de soja nos Estados Unidos alcançou 88%, acima da média histórica de 84%.

As inspeções americanas de exportação somaram aproximadamente 2,44 milhões de toneladas, com crescimento de 56% no acumulado da temporada. No Brasil, a Conab indicou o plantio em 54,3%, enquanto Mato Grosso alcançou 90,8%.

Esses indicadores ajudam a acompanhar a oferta de soja em grão, mas não representam variações automáticas no preço do farelo de soja brasileiro.

China: farelo recua e demanda por ração permanece limitada

Na China, o farelo de soja voltou a cair, acompanhando a fraqueza do complexo de oleaginosas. A ampla disponibilidade de matéria-prima e as margens negativas do setor de proteína animal mantêm as fábricas de ração cautelosas, sem necessidade de ampliar significativamente a cobertura de estoque.

O mercado de suínos também permaneceu pressionado. Os contratos de janeiro e março recuaram 3,68% e 3,41%, respectivamente, enquanto o preço médio dos animais caiu para RMB 9,06 por quilo.

A oferta abundante, os pesos elevados dos animais comercializados e a demanda fraca ajudam a explicar a limitação das compras de insumos para ração naquele mercado.

Milho chinês fica estável, com oferta ainda elevada

O milho na China ficou praticamente estável, com o contrato de janeiro em RMB 2.230 por tonelada.

No mercado físico, a redução do fluxo da safra no Nordeste chinês, as compras da Sinograin e a maior retenção pelos produtores ofereceram suporte aos preços. Entretanto, a estimativa de que cerca de 90% da safra ainda não foi comercializada mantém a possibilidade de maior pressão de oferta adiante.

Juros americanos e petróleo seguem no radar

As eleições legislativas dos Estados Unidos mantêm os investidores atentos ao dólar e aos juros. Segundo a Reuters, os rendimentos dos títulos americanos de dez anos avançaram, enquanto uma pesquisa da agência apontou expectativas de novas elevações de juros pelo Federal Reserve.

Leitura Okamoto

A combinação de dólar em alta, avanço da oferta de soja nos Estados Unidos e demanda chinesa cautelosa reúne forças distintas para as compras de matérias-primas. Na leitura da Okamoto, a queda do farelo na China e a recuperação da soja em Chicago precisam ser avaliadas separadamente das propostas brasileiras.