5 de novembro de 2026
- O mercado de milho reúne sinais distintos nesta quinta-feira: nos Estados Unidos, a produção recorde de etanol e as exportações dão suporte às negociações, enquanto o mercado físico brasileiro apresenta pressão em algumas regiões. Na soja, o contrato de janeiro tenta recuperação, próximo de US$ 12,07 por bushel, em meio à baixa liquidez dos prêmios brasileiros e às condições impostas pela China para ampliar compras agrícolas americanas.
Milho: etanol e exportações dão suporte nos Estados Unidos
A produção americana de etanol chegou a 1,143 milhão de barris por dia, acompanhada de queda nos estoques. Além disso, as exportações de milho dos Estados Unidos atingiram um recorde para setembro, com 7,08 milhões de toneladas.
Em Chicago, a recuperação técnica do milho contou com compras de fundos e com o suporte da indústria de etanol. Entretanto, a ampla oferta global continua limitando movimentos mais fortes de valorização.
No Brasil, a B3 ficou próxima da estabilidade na sessão anterior, enquanto o mercado físico seguiu pressionado em algumas regiões, especialmente em Mato Grosso do Sul. A revisão positiva da safra brasileira também reforçou a percepção de oferta confortável.
Já nas negociações de exportação, a liquidez permaneceu baixa, com poucas mudanças nos prêmios. O interesse continuou concentrado nas posições imediatas, enquanto a safrinha de 2027 registrou pouca participação de compradores e vendedores.
Soja tenta recuperação, mas prêmios seguem com poucos negócios
Na abertura desta quinta-feira, a soja tentou recuperação, com o contrato de janeiro próximo de US$ 12,07 por bushel. O movimento ocorre após a referência de Chicago alcançar o menor nível desde agosto.
Em Paranaguá, as negociações de prêmios permaneceram pouco movimentadas, refletindo a menor disposição de venda dos produtores e a demanda chinesa pouco ativa. A comercialização brasileira na sessão anterior foi estimada em aproximadamente 200 mil toneladas.
Os produtores buscaram incorporar a alta cambial às negociações, enquanto os prêmios ainda não compensaram as perdas dos futuros. Segundo estimativas de mercado, a cobertura chinesa para embarques de dezembro estava em aproximadamente 95%, contribuindo para uma participação mais limitada dos compradores.
Farelo sobe na China, enquanto suinocultura limita a demanda
Na China, os futuros de farelo de soja apresentaram recuperação, embora a soja em grão tenha operado em baixa. O mercado permanece dividido entre a ampla disponibilidade de matéria-prima e a demanda limitada da indústria de rações.
A suinocultura continuou pressionada, com o preço médio nacional dos suínos em RMB 8,91/kg. A oferta elevada, o aumento dos pesos de abate e a maior intenção de venda das grandes granjas em novembro dificultam a recuperação do setor.
Por outro lado, a redução do plantel de matrizes sinaliza um possível ajuste futuro da produção. Esse processo, porém, ainda levará tempo para reduzir a oferta de animais para abate, mantendo restrições a uma recuperação consistente da demanda por farelo.
China condiciona compras a tarifas; Copom mantém Selic
A China condicionou a ampliação das compras de produtos agrícolas americanos à implementação de reduções tarifárias recíprocas. Segundo informações atribuídas à Reuters, o pacote proposto entre os países ainda não foi finalizado.
Entre janeiro e setembro, as compras chinesas de produtos agrícolas americanos fora da soja somaram US$ 7,2 bilhões, o menor nível para o período desde 2019. Conforme a avaliação de traders, tarifas menores seriam necessárias para viabilizar aquisições em maior escala.
No Brasil, o Copom manteve a Selic em 13,75% e deixou os próximos passos em aberto. Para as empresas que utilizam crédito na aquisição e manutenção de estoques, a taxa segue como referência na avaliação do custo financeiro das compras.
Leitura Okamoto
No milho, a força do consumo para etanol e o recorde das exportações americanas em setembro oferecem suporte externo, mas convivem com uma percepção de oferta confortável no Brasil. Para compradores de matérias-primas, essa diferença reforça a necessidade de comparar o movimento dos futuros com as propostas físicas e o custo entregue, sem estender automaticamente as quedas de Mato Grosso do Sul a Goiás e Minas Gerais.
No complexo soja, a tentativa de recuperação do grão em Chicago e a alta do farelo na China representam movimentos de mercados distintos e não confirmam valorização do farelo brasileiro. A interpretação comercial é que câmbio, prêmios e demanda internacional precisam ser considerados em conjunto nas negociações. Além disso, a Selic mantida em 13,75% torna o custo de financiar estoques uma variável relevante ao comparar compras imediatas e aquisições parceladas ao longo do tempo.