16 de outubro de 2026 | Informativo de Mercado Okamoto
A sexta-feira começa com recuo da soja e de seus derivados, após o processamento americano ficar abaixo do esperado. As compras chinesas de soja dos Estados Unidos e o avanço da produção americana de etanol também estão entre os destaques.
No câmbio, o enfraquecimento global do dólar divide espaço com a cautela em relação ao cenário eleitoral e fiscal brasileiro.
Principais destaques
- Soja e derivados: preços recuam, pressionados pelo processamento americano abaixo das expectativas.
- Esmagamento nos EUA: volume de setembro divulgado pela NOPA é o menor em 13 meses.
- Vendas americanas: USDA confirma 330 mil toneladas de soja para a China e 283,45 mil toneladas para destinos não revelados.
- China: país reduz a estimativa de sua safra de soja, mas mantém a previsão de importações em 95,5 milhões de toneladas.
- Etanol nos EUA: produção alcança 1,065 milhão de barris por dia, maior nível em um mês.
Soja e derivados: processamento americano pressiona preços
A soja e seus derivados operam em queda, com o mercado reagindo ao esmagamento americano de setembro informado pela NOPA. O resultado ficou abaixo do esperado e atingiu o menor nível em 13 meses.
Do lado da demanda, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou vendas de 330 mil toneladas de soja para a China e de 283,45 mil toneladas para destinos não revelados.
Atenção: as referências à Bolsa de Chicago (CBOT) neste informativo correspondem às operações do mercado noturno.
China: importações de soja e compras dos EUA em destaque
As importações chinesas de soja somaram 11,88 milhões de toneladas em setembro, queda de 2,1% em relação a agosto. O país também reduziu a estimativa de sua safra, mantendo a previsão de importações em 95,5 milhões de toneladas.
Segundo fontes de mercado, compradores chineses adquiriram mais de 30 cargas de soja americana nesta semana. Apesar da retomada das negociações, a tarifa chinesa de 10% sobre a soja dos Estados Unidos mantém o produto americano em desvantagem frente à oferta sul-americana.
No mercado chinês, o contrato de farelo de soja para janeiro recuou 1,77%, para RMB 3.281 por tonelada. Os óleos de soja e de palma também registraram perdas.
Brasil e China: comércio recorde e diversificação das compras
O comércio entre Brasil e China atingiu US$ 143 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, um recorde para o período.
A soja continua representando mais de um terço das exportações brasileiras para o mercado chinês. O petróleo também ganhou participação, com vendas de US$ 21,8 bilhões, alta de 49%.
A China vem ampliando as compras de sorgo brasileiro, movimento que sinaliza maior diversificação das origens de grãos destinados à alimentação animal.
Suínos na China: oferta elevada mantém pressão
A ampla disponibilidade de animais continua pressionando o mercado chinês de suínos. O preço médio nacional caiu para RMB 9,81 por quilo, enquanto os pesos de abate permanecem elevados.
Esse cenário indica que parte dos produtores está mantendo os animais por mais tempo nas granjas diante dos preços baixos. Os contratos futuros mais próximos apresentaram leve recuperação, mas ainda não há sinais claros de redução da oferta.
Etanol: produção americana atinge maior nível em um mês
A produção de etanol nos Estados Unidos alcançou 1,065 milhão de barris por dia, o maior nível em um mês. O indicador integra o acompanhamento da demanda americana por milho.
Câmbio: dólar em queda na abertura, com atenção ao Brasil
Cotações de referência às 09h05:
| Indicador | Cotação aproximada | Variação |
|---|---|---|
| Dólar comercial — USDBRL | R$ 5,08 | −0,3% |
| Índice do dólar — DXY | 101,7 pontos | −0,3% |
O dólar perde força no exterior, acompanhado pela queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries. No Brasil, a perspectiva de uma disputa presidencial acirrada mantém a procura por proteção cambial e limita o alívio para o real.
Investidores acompanham as pesquisas PoderData e CNT/MDA, repercutem a entrevista de Lula e monitoram a sabatina de Flávio Bolsonaro. Propostas como tarifa zero no transporte urbano e perdão de dívidas de MEIs também entram na avaliação das perspectivas fiscais.
Na agenda econômica, o IBC-Br concentra a atenção sobre a atividade brasileira, enquanto o IPC-S integra o acompanhamento da inflação e das perspectivas para os juros.
Cenário internacional: juros, commodities e política chinesa
Kevin Warsh evitou antecipar decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto dos Estados Unidos (FOMC) e defendeu a reavaliação dos dados de atividade, emprego e inflação nas próximas reuniões.
O petróleo Brent apresenta movimentos mistos diante dos riscos de abastecimento no Oriente Médio. O minério de ferro registra ligeira alta na China, apoiado por sinais de melhora nas margens das siderúrgicas e no consumo. Preocupações com o financiamento do setor de inteligência artificial também mantêm a cautela global.
Na China, o índice acionário CSI 300 avançou 0,11%, apoiado por novas medidas de suporte ao mercado. O yuan apresentou leve valorização, para 6,69 por dólar.
No encontro financeiro do G20, a China defendeu que os desequilíbrios comerciais globais não podem ser atribuídos apenas às taxas de câmbio. Pequim também sinalizou uma política fiscal mais ativa para sustentar a demanda doméstica e segue promovendo o uso internacional do yuan.
As tensões comerciais entre China e União Europeia permanecem no radar. Paralelamente, Canadá e Singapura reforçaram a importância de manter as relações comerciais com Pequim durante a diversificação das cadeias globais.
O que pode movimentar o dólar
Fatores que podem favorecer a alta:
- Aumento da incerteza eleitoral e fiscal no Brasil.
- Redução do apetite global por risco.
- Retomada da alta dos rendimentos dos Treasuries.
- Agravamento das tensões no Oriente Médio.
Fatores que podem favorecer a queda:
- Continuidade do enfraquecimento global do dólar.
- Nova redução dos rendimentos dos Treasuries.
- Sinalização mais cautelosa do Federal Reserve.
- Melhora das commodities, especialmente do minério de ferro.