6 de novembro de 2026
- O mercado de soja inicia esta sexta-feira sob pressão da oferta elevada e das vendas dos fundos, enquanto os prêmios estáveis e a baixa liquidez limitam as negociações no Brasil. Para o setor de nutrição animal, também ganham destaque a queda do farelo de soja na China e a expectativa pelo relatório do USDA de 10 de novembro.
Soja: projeções de safra e prêmios estáveis limitam os negócios
A StoneX estima a safra americana de soja em 128,6 milhões de toneladas, ampliando a atenção sobre os números que serão apresentados pelo USDA. Para o Brasil, a projeção chega a 184,95 milhões de toneladas, ainda condicionada ao comportamento do clima.
O plantio brasileiro foi estimado em 66,1% até 5 de novembro, à frente do ritmo observado no mesmo período do ano passado. As perspectivas de produção elevada, combinadas às vendas dos fundos, mantêm pressão sobre soja e milho.
Em Paranaguá, os prêmios de soja permanecem estáveis, com pouca volatilidade e baixa liquidez. As quedas em Chicago, sem uma compensação nos prêmios, têm limitado as ofertas. Estimativas de mercado indicam que a comercialização brasileira ficou em menos de 1 milhão de toneladas nesta semana.
Esse quadro descreve o mercado da soja em grão. Não há indicação de preços físicos do farelo de soja brasileiro que permita confirmar um movimento equivalente no ingrediente.
China: farelo recua com estoques elevados e esmagamento forte
O farelo de soja voltou a cair na China, pressionado pela ampla oferta doméstica. Os estoques nas principais regiões chinesas superaram 1,2 milhão de toneladas, ficando mais de 20% acima do ano passado, enquanto o ritmo elevado de esmagamento mantém a disponibilidade confortável.
Um novo leilão de soja importada das reservas está previsto para 10 de novembro, reforçando a oferta de matéria-prima às indústrias chinesas.
No comércio internacional, a China sinalizou disposição para ampliar as importações agrícolas dos Estados Unidos, mas condicionou novas compras à implementação das reduções tarifárias acordadas. As aquisições de soja avançam em direção às metas previstas, embora o produto continue sujeito à tarifa adicional de 10%, com participação importante dos compradores estatais.
O Brasil permanece estratégico para o abastecimento chinês. Entretanto, a sinalização de novas compras americanas ainda depende das condições comerciais anunciadas e não permite concluir uma mudança imediata na demanda pela soja brasileira.
Milho e óleos vegetais apresentam movimentos distintos na China
Embora os contratos chineses de milho tenham recuado levemente, os preços físicos continuaram avançando diante da menor disponibilidade imediata. O clima frio favorece a retenção dos grãos pelos produtores e dificulta a logística.
A alta no mercado físico está associada ao fluxo de comercialização, sem indicação de redução da oferta total. Os estoques disponíveis para entrega seguem elevados, o que pode trazer de volta a pressão de venda mais adiante.
Nos óleos vegetais, as quedas ficaram entre 1% e 2% nos mercados de palma, soja e canola. A Sinograin deve realizar uma compra de 200 mil toneladas de óleo de soja em 9 de novembro, após uma primeira aquisição do mesmo volume. A demanda oferece algum suporte, mas os estoques elevados continuam limitando a recuperação dos preços.
Câmbio: emprego nos EUA e cenário fiscal concentram a atenção
A divulgação dos dados de emprego e salários dos Estados Unidos referentes a outubro é o principal evento do dia para o câmbio. O resultado pode alterar as expectativas para os juros americanos e influenciar o comportamento do dólar frente ao real.
A cautela com as ações ligadas à inteligência artificial também compõe o cenário externo. No Brasil, as perspectivas para as contas públicas, a repercussão do comunicado do Copom e as sinalizações sobre a política econômica do próximo governo permanecem no radar.
Um mercado de trabalho americano mais forte pode sustentar expectativas de maior restrição monetária e favorecer o dólar. Dados mais fracos podem produzir o efeito contrário, dependendo da reação dos investidores e dos demais fatores da sessão. Esses movimentos são possibilidades, ainda sem confirmação pelo resultado do payroll.
Leitura Okamoto
A pressão sobre a soja em Chicago e os prêmios estáveis em Paranaguá coexistem com baixa liquidez e ofertas limitadas no Brasil. Na leitura comercial, esse conjunto exige distinguir a referência internacional das condições efetivas de negociação: a queda dos futuros, isoladamente, não confirma redução do custo entregue do farelo de soja ao comprador.
A oferta confortável de farelo na China ajuda a explicar a fraqueza naquele mercado, mas não comprova maior disponibilidade ou preços menores no Brasil. Para definir a cobertura de estoque, a comparação entre ofertas físicas, câmbio, frete e prazo de carregamento continua sendo a base da decisão. O USDA de 10 de novembro será uma nova referência para avaliar as projeções de oferta, sem antecipar uma direção para os preços domésticos.