28 de outubro de 2026
O mercado de matérias-primas inicia esta quarta-feira com tentativa de recuperação da soja em Chicago e dólar próximo de R$ 5,35. A decisão de juros nos Estados Unidos concentra as atenções, enquanto os dados chineses mostram alta do milho e do farelo de soja, mas demanda por ração ainda limitada pelas dificuldades da suinocultura.
Soja busca recuperação; risco climático exige cautela
Na referência das 8h29, o contrato de soja para novembro estava perto de US$ 12,36 por bushel. O valor corresponde à abertura do dia, não ao fechamento da sessão anterior.
Um estudo citado no boletim aponta risco de perdas em cenário de El Niño forte. Essa avaliação, porém, não representa quebra confirmada da safra brasileira.
Na China, a Sinograin vendeu 172 mil toneladas de reservas, enquanto as compras chinesas seguem cautelosas. O material não informa o período dessa operação.
Milho e farelo sobem na China, com oferta confortável
No mercado chinês, o milho avançou cerca de 0,5%, o farelo de soja ganhou 0,3% e o óleo de soja subiu 1,4%. A soja doméstica apresentou leve queda.
Apesar da valorização dos derivados, o boletim descreve oferta confortável e ausência de sinais de aperto relevante no curto prazo. Na suinocultura chinesa, a oferta elevada de animais e os estoques altos de carne congelada continuam limitando o ambiente de demanda por ração.
Essas variações se referem à China. O material não apresenta cotações brasileiras de farelo, e a recuperação da soja em grão não permite concluir que o farelo de soja tenha subido no Brasil.
Trigo pode disputar espaço com milho nas rações chinesas
A China manteve o preço mínimo de compra do trigo em RMB 2.380 por tonelada para a safra 2027/28.
A relação de preços merece atenção porque o trigo de menor qualidade pode substituir parte do milho nas rações quando se torna competitivo. Trata-se de um fator para acompanhar a demanda chinesa no próximo ciclo, sem efeito direto quantificado sobre o mercado brasileiro no material recebido.
Câmbio concentra atenção na decisão do Fed
Às 9h05, o dólar estava próximo de R$ 5,35, com alta de 0,1%. O índice DXY, que mede a moeda americana frente a uma cesta de divisas, permanecia perto de 102,3 pontos, estável.
A expectativa informada é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve entre 3,75% e 4,00% ao ano. O comunicado e a entrevista após a decisão podem influenciar o câmbio. No Brasil, o mercado acompanha as sinalizações fiscais e a composição da equipe econômica do próximo governo.
O real mais fraco favorece a competitividade das exportações brasileiras, mas prêmios menores — componentes da formação do preço de exportação — e custos em dólar podem limitar o benefício ao produtor.
Leitura Okamoto
Para as compras de matérias-primas para nutrição animal, a leitura é de atenção ao câmbio e ao custo entregue. A alta dos insumos na China e a recuperação da soja em Chicago são referências externas; os dados enviados não confirmam reajustes do milho ou do farelo no mercado físico brasileiro.