Mercado de soja e milho: dólar sustenta preços no Brasil

27 de outubro de 2026

  • O dólar próximo de R$ 5,40 no fechamento de ontem deu suporte aos preços brasileiros de soja e milho, apesar da pressão em Chicago. Nesta terça-feira, o mercado acompanha o câmbio, a evolução do plantio nacional e as condições climáticas nas regiões produtoras.

Soja: câmbio sustenta preços, mas prêmios recuam

O indicador de Paranaguá subiu para R$ 155,55 por saca, apoiado pelo câmbio. Entretanto, a resistência dos compradores e a queda de aproximadamente 15 centavos de dólar por bushel nos prêmios brasileiros podem limitar novos ganhos.

Segundo estimativas de mercado, a comercialização no Brasil ficou próxima de 500 mil toneladas. A queda em Chicago e nos prêmios também favoreceu compras chinesas de soja brasileira para embarques entre março e junho.

Nos Estados Unidos, a colheita alcançou 79%, acima da média histórica de 77%, enquanto as inspeções de exportação somaram 2,48 milhões de toneladas.

No Brasil, o plantio atingiu 42,8% até 23 de outubro, ante 30,1% na semana anterior e média histórica de 40,2%. Goiás avançou de 26% para 41%, e Minas Gerais, de 11,2% para 24,4%, ambos acima das respectivas médias.

Milho: exportação ganha competitividade

A ampla oferta global, o avanço da colheita americana e a competitividade da Argentina seguem pressionando Chicago. No Brasil, a alta do dólar na sessão anterior impulsionou a B3 e melhorou a paridade de exportação, dando suporte ao mercado físico e favorecendo negócios.

Os prêmios de exportação recuaram, mas em intensidade menor que a alta cambial. O movimento permitiu coberturas para embarques de fim de ano, embora a oferta disponível e a distância entre os preços pedidos e oferecidos tenham limitado a continuidade da liquidez.

O plantio da primeira safra chegou a 40%, ante 36% na semana anterior e média histórica de 38,9%. Goiás atingiu 12%, próximo da média de 12,6%, enquanto Minas Gerais chegou a 13,5%, abaixo dos 17,9% históricos.

Câmbio e clima no radar

Após o fechamento próximo de R$ 5,40, o dólar recuava para cerca de R$ 5,39 às 9h05, com queda de 0,5%, conforme o boletim de abertura. O mercado acompanha as sinalizações econômicas e fiscais após a eleição e a reunião do Federal Reserve, com decisão prevista para quarta-feira, 28 de outubro.

Nas lavouras, o excesso de chuva no Sul e a secura em partes do Centro-Oeste e Nordeste exigem acompanhamento. Apesar do avanço da semeadura, o desenvolvimento da safra dependerá da distribuição das chuvas nas próximas semanas.

Para quem compra matérias-primas para nutrição animal, a melhora da paridade de exportação pode aumentar a disputa pelo produto disponível e sustentar as ofertas internas, mesmo com Chicago em queda.

No farelo de soja, o movimento do grão merece atenção, mas não determina sozinho os preços: esmagamento, demanda e disponibilidade das indústrias também influenciam as negociações. No milho, frete e prazo de carregamento seguem decisivos para comparar oportunidades.

O avanço do plantio não amplia a oferta imediata. O foco das compras continua no custo entregue, na cobertura dos estoques e na programação de consumo, especialmente em um mercado sujeito a oscilações cambiais.

Plantio: posição até 23/10/2026. Câmbio: cotação das 9h05 de 27/10/2026.