Soja e milho recuam em Chicago; farelo apresenta leve alta na abertura

Informativo de mercado — 19/10/2026

A soja em grão e o milho apresentam queda em Chicago na abertura desta segunda-feira. No complexo soja, o óleo também recua, enquanto o farelo registra leve alta, conforme o painel de cotações recebido.

Entre os fatores destacados nos boletins estão o processamento americano de soja abaixo do esperado, o avanço da colheita de milho nos Estados Unidos e a continuidade das compras chinesas de soja americana. No Brasil, os prêmios da soja ficaram mais firmes na sexta-feira, enquanto a oferta de milho mantém os compradores confortáveis no mercado físico.

Principais destaques

  • Esmagamento americano de soja em setembro fica no menor nível em 13 meses, segundo a NOPA.
  • Comercialização brasileira de soja é estimada em aproximadamente 750 mil toneladas na semana passada.
  • Demanda chinesa segue presente nas compras de soja dos Estados Unidos.
  • Milho brasileiro permanece bem ofertado, com negócios de exportação reportados para novembro e dezembro de 2026.
  • Dólar recua 0,2%, cotado a aproximadamente R$ 5,05 às 09h15.

Soja e farelo: processamento abaixo do esperado e movimentos distintos nos contratos

O esmagamento de setembro informado pela NOPA ficou abaixo do esperado e atingiu o menor nível em 13 meses. O boletim aponta esse resultado como fator de pressão sobre o mercado da soja.

No painel de abertura, porém, os produtos apresentam movimentos diferentes: a soja em grão e o óleo recuam, enquanto os contratos de farelo registram pequenas altas.

As referências da Bolsa de Chicago — CBOT — correspondem às operações do mercado noturno. São cotações de contratos futuros e não representam os preços do mercado físico brasileiro.

Soja brasileira: prêmios mais firmes e participação da safra nova

Os prêmios de exportação da soja no Brasil ficaram mais firmes na sexta-feira, refletindo a queda das cotações em Chicago e do dólar frente ao real. Os prêmios são o diferencial negociado em relação ao preço de referência da bolsa.

Segundo estimativas de mercado, a comercialização brasileira somou aproximadamente 750 mil toneladas na semana passada. Cerca de metade desse volume teria sido de safra nova.

China: compras de soja americana continuam no radar

A demanda chinesa segue presente nas compras de soja dos Estados Unidos. Na sexta-feira, foram reportados 10 carregamentos, com embarques entre janeiro e março.

Segundo o boletim, a China reduziu a estimativa de sua safra de soja, mas manteve a previsão de importações em 95,5 milhões de toneladas.

Milho: colheita americana pressiona Chicago

O milho recua em Chicago com o avanço da colheita nos Estados Unidos e a demanda externa mais lenta. As vendas semanais ficaram dentro das expectativas, mas seguem abaixo do ritmo do ano passado.

Na produção americana de etanol, o volume atingiu 1,065 milhão de barris por dia, o maior nível em um mês, conforme o material recebido.

Milho brasileiro: oferta disponível e negócios para o fim do ano

No Brasil, os produtores continuam ativos nas vendas, mantendo o mercado bem ofertado. Os compradores seguem confortáveis diante da competitividade do milho de outros estados e da perspectiva de estoques elevados no país.

No boletim referente a Santos, os prêmios encerraram a semana levemente mais fracos, mas permaneceram mais competitivos que os da Argentina. Essa condição favoreceu as negociações de exportação, com diversos negócios reportados para novembro e dezembro de 2026.

As operações foram mencionadas na modalidade FOB, em que o vendedor entrega a mercadoria a bordo do navio no porto de embarque.

Câmbio: dólar recua com juros americanos e cenário doméstico em foco

Às 09h15 de 19/10/2026, o dólar era negociado a aproximadamente R$ 5,05, com queda de 0,2%. No mesmo horário, o índice do dólar — DXY — estava em aproximadamente 101,8 pontos, com variação de 0,0%.

O recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos favorece o ambiente para moedas emergentes. O mercado segue esperando a manutenção dos juros pelo Federal Reserve — Fed, o banco central dos Estados Unidos — neste mês.

No Brasil, novas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República concentram a atenção em um dia de agenda leve. Segundo o boletim, a disputa permanece acirrada, e a incerteza sobre a condução fiscal após a eleição pode ampliar a volatilidade do real e dos juros.

O relatório Focus reduziu as projeções de crescimento e de dólar à vista para o fim do ano, manteve a expectativa para a Selic e elevou a previsão de inflação de 2027. O IGP-10 acelerou em outubro, reforçando a atenção às pressões de preços.

No cenário externo, o boletim aponta aceleração do crescimento chinês e avanço do minério de ferro como fatores de suporte ao real, embora a fragilidade do setor imobiliário limite o otimismo. Na Europa, as tensões fiscais e políticas na França pressionam o euro e os ativos europeus.

Pontos de atenção para as próximas sessões

  • Soja e farelo: continuidade das compras chinesas, comportamento dos prêmios brasileiros e evolução das cotações de cada produto.
  • Milho: avanço da colheita americana, desempenho das vendas externas e disponibilidade no mercado físico brasileiro.
  • Câmbio: pesquisas eleitorais, expectativas fiscais no Brasil e evolução dos rendimentos dos títulos americanos.
  • Cenário externo: atividade chinesa, comunicação do Fed e apetite global por risco.

No câmbio, a cautela eleitoral e fiscal, a expectativa de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos e a piora do apetite global por risco podem pressionar o dólar para cima. Já o enfraquecimento do DXY, o recuo dos rendimentos dos títulos americanos, melhores expectativas para a China e sinalizações mais brandas do Fed podem favorecer o real.