Farelo de soja resiste à queda em Chicago, enquanto dólar e exportações sustentam preços no Brasil

Mercado apresenta poucos negócios nesta terça-feira (13), com recuos em algumas regiões do interior, mas demanda externa aquecida e restrições na oferta de soja limitam quedas mais expressivas.

O mercado brasileiro de farelo de soja encerrou esta terça-feira, 13 de outubro, com preços relativamente estáveis, apesar da queda registrada na Bolsa de Chicago. A valorização do dólar e o avanço dos prêmios de exportação compensaram a pressão internacional, mantendo as cotações sustentadas no mercado doméstico.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato de farelo de soja com vencimento em dezembro recuou 1,5%, encerrando a US$ 363,20 por tonelada curta. O movimento foi influenciado pelo avanço da colheita norte-americana, que passou de 25% para 46% da área em apenas uma semana, além da ausência de novas compras expressivas de soja dos Estados Unidos pela China.

No Brasil, entretanto, o movimento foi diferente. O dólar avançou 0,74%, encerrando a R$ 5,0228, enquanto os prêmios de exportação subiram entre US$ 2 e US$ 3 por tonelada curta. Essa combinação compensou boa parte da queda em Chicago, impedindo que o recuo internacional fosse integralmente repassado aos preços brasileiros.

O mercado físico apresentou baixa movimentação, com poucos negócios efetivamente realizados após o feriado. Em Paranaguá (PR), as indicações ficaram entre R$ 2.100 e R$ 2.200 por tonelada, enquanto em Rondonópolis (MT) variaram de R$ 2.030 a R$ 2.080.

Exportações aquecidas e oferta restrita sustentam o mercado

Apesar da estabilidade observada nesta terça-feira, os fundamentos de oferta e demanda continuam oferecendo sustentação às cotações brasileiras.

Um dos principais fatores é o ritmo das exportações. A programação de embarques de farelo de soja para outubro alcança 2,55 milhões de toneladas, volume 47% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Esse crescimento reforça a concorrência entre o mercado externo e o consumo doméstico, especialmente em um período de disponibilidade mais limitada de matéria-prima.

Outro fator importante é o comportamento dos produtores brasileiros. Com o plantio da nova safra avançando para 20,4% da área prevista, acima da média histórica de 15,1%, parte dos agricultores permanece concentrada nas atividades de campo e demonstra menor disposição para comercializar os estoques remanescentes de soja.

A menor oferta do grão limita a capacidade de esmagamento das indústrias e, consequentemente, a disponibilidade de farelo no mercado.

Ao mesmo tempo, o óleo de soja permanece valorizado no mercado doméstico, com referências entre R$ 7.000 e R$ 7.200 por tonelada em São Paulo, sustentadas pela demanda do setor de biodiesel. Embora essa valorização incentive o processamento, a disponibilidade restrita de soja dificulta uma ampliação imediata da produção.

Interior registra correções, mas preços continuam elevados

Algumas regiões produtoras apresentaram recuos importantes nas últimas semanas, refletindo principalmente os ajustes cambiais e a resistência dos compradores.

Em Rondonópolis (MT), a referência de compra caiu R$ 120 por tonelada em relação à semana anterior, chegando a R$ 2.030. Em Dourados (MS), o recuo foi de R$ 150, enquanto no sudoeste de Goiás a redução alcançou R$ 70 por tonelada.

Em Uberlândia (MG), importante referência de abastecimento para a pecuária mineira, o farelo foi indicado a R$ 2.270 por tonelada, queda semanal de R$ 80.

Entretanto, as correções recentes ainda não eliminaram as valorizações acumuladas no último mês. Em Rondonópolis, por exemplo, o produto permanece R$ 160 por tonelada acima do nível observado há 30 dias.

Essa diferença demonstra que, apesar dos ajustes pontuais, o mercado ainda opera em patamares elevados, especialmente diante da disponibilidade restrita e do volume expressivo de exportações.

Frete pode representar nova pressão sobre os custos

Além das oscilações do farelo, o mercado acompanha os possíveis desdobramentos da política de subsídios ao diesel, cuja vigência atual está prevista até 26 de outubro.

Caso o benefício não seja prorrogado, uma eventual elevação do combustível poderá pressionar os custos logísticos, especialmente em operações de longa distância.

Esse movimento merece atenção porque o preço final das matérias-primas entregues ao consumidor depende não apenas das cotações nas indústrias, mas também dos custos de transporte.

Assim, mesmo em um cenário de estabilidade ou queda do farelo na origem, o custo de aquisição para produtores de regiões mais distantes poderá aumentar caso os fretes sejam reajustados.

A possibilidade de prorrogação do subsídio, entretanto, permanece aberta, o que torna prematura qualquer conclusão sobre a intensidade desse impacto.

Perspectivas apontam estabilidade no curto prazo e atenção para novembro e dezembro

Para as próximas semanas, a expectativa é de um mercado influenciado por forças opostas.

De um lado, o avanço da colheita norte-americana e a ausência de compras mais expressivas da China podem continuar pressionando as cotações em Chicago.

De outro, a demanda exportadora brasileira, a oferta limitada de soja e a valorização dos prêmios seguem oferecendo sustentação ao mercado doméstico.

A análise da Safras & Mercado indica tendência neutra para os preços internos em outubro, com viés moderadamente altista em novembro e dezembro.

Para janeiro e fevereiro, a disponibilidade de soja da nova safra brasileira será determinante. A curva futura de prêmios de exportação já sinaliza a possibilidade de preços mais competitivos com a chegada do novo produto, embora permaneçam riscos relacionados às condições climáticas, ao ritmo de esmagamento e à demanda internacional.

Nesse contexto, os movimentos do dólar, as negociações comerciais entre Estados Unidos e China e o comportamento das exportações brasileiras continuarão sendo variáveis fundamentais para a formação dos preços.

Para os compradores de matérias-primas destinadas à nutrição animal, o cenário reforça a importância do acompanhamento de mercado e do planejamento das aquisições. As recentes quedas em algumas regiões podem representar oportunidades pontuais de negociação, mas a sustentação das exportações e as limitações de oferta indicam que ainda existem riscos de novas pressões sobre os preços.

Fonte: Safras & Mercado — Agro Hoje, Farelo e Óleo de Soja, edição nº 10026, fechamento de 13 de outubro de 2026. Análise e elaboração editorial: Okamoto.